Apaixonado por automóveis e competição, tecnologia e cultura automóvel. É assim Bernardo Gonzalez, o jornalista e piloto automóvel que contou com o apoio da Sparkes & Sparkes na GTI Racing.

Bernardo Gonzalez em Circuito Estoril, 9 de Abril

Foi em 1996 que iniciou a sua carreira como jornalista de automóveis, passando por diversas publicações, como AutoHoje, SuperMotores, AutoDiesel, QuattroRuote, Autosport, Volante, Carros & Motores, e Motor24. Atualmente é diretor editorial da revista Altagama. Mas a sua paixão por automóveis vai muito mais além do jornalismo na área. Em 1993, com apenas 20 anos, estreou-se como piloto no Campeonato Nacional de Fórmula Ford, participando em variadas competições ao longo dos anos seguintes. 

Fique a conhecer um pouco mais este grande piloto. 

S: Fale um pouco de si e da sua trajetória como piloto até ao dia de hoje.

B: Na verdade, os automóveis sempre foram a minha obsessão desde que me lembro. Em criança, a minha rotina era “conduzir” pela casa com uma tampa de panela entre as mãos, infernizando a cabeça da minha mãe. Mais tarde, o fascínio pelos automóveis e pelas corridas cresceu, e só queria tornar-me piloto de competição. Dado que não tinha apoio familiar para perseguir esse sonho, apenas aos 19 anos é que comecei com umas brincadeiras de karts com amigos, no Kartódromo de Évora. Mas foi em 1993, então com 20 anos, que a minha carreira começou no Campeonato Nacional de Fórmula Ford.

Como os patrocínios eram poucos, e apesar de alguns resultados promissores, o sonho ficou a meio dessa temporada de estreia. Queria uma carreira ligada aos automóveis e à condução, e tornar-me jornalista da especialidade pareceu-me um passo lógico. Na faculdade, não tinha grande motivação para o curso de Marketing que estava a tirar e, por isso, no dia em que fui aceite na revista AutoHoje nunca mais deixei esta profissão, já lá vão mais de 25 anos…

Como nunca abdiquei do sonho da competição, aproveitei sempre todas as oportunidades que surgiram para competir, nem que fossem provas de karting. Porque o importante nas corridas é aquilo a que chamamos de “rodagem”, ou tempo em pista. Só assim é que aprendemos e evoluímos, e infelizmente passei muitos fins-de-semana em casa ou a ver os outros a correr enquanto roía as unhas.

Como jornalista-convidado fiz muitas provas de automóveis, mas para mim não era suficiente. Queria voltar a “tempo inteiro”, com um projeto para uma temporada completa. E a dificuldade para os pilotos é sempre angariar os apoios, ou vulgo “patrocinadores”, que nos permitam levar um projeto avante. Apenas consegui isso mais recentemente, participando nas edições portuguesa e depois europeia do Trofeo Abarth 500, antes de passar para o Super Seven by KIA, em 2016.

S: O que é que a GTI Racing representa para si e o que o motivou a participar na edição 2022?

B: O GTi Racing é uma rubrica criada dentro do nosso programa de televisão GTI- emitido nos canais TVI e CNN Portugal- para dar visibilidade e exposição televisiva aos nossos parceiros. Só assim é que hoje as coisas fazem sentido: parcerias integradas, que garantam retorno a quem está connosco, usando também as redes sociais como forma de passar a mensagem. Para nós, o GTi Racing é uma componente importante, por reforçar o lado emocional e desportivo do nosso programa.

Depois de alguns anos em que não conseguimos montar um projeto para uma temporada completa, para 2022 tudo se conjugou e conseguimos estabelecer diversas parcerias que nos permitem disputar a totalidade do calendário. Como o elemento da equipa mais envolvido neste projeto, e por ser aquilo que mais gosto de fazer, naturalmente a motivação é total. Adoro tratar de cada pormenor, dentro e fora do carro. É exigente em termos de tempo, mas quem corre por gosto …

S: No dia 9 de Abril decorreu a primeira corrida do Gti Racing 2022, quais eram as suas expectativas em relação à corrida ?

B: Sabia que partia com alguma desvantagem face aos meus rivais de classe 320R- modelos Caterham com motor 1.6, de 135 CV, e caixa manual de 5 velocidades. Isto porque tudo se prontificou um pouco em cima da hora e não houve tempo para treinos privados. Mas estava confiante de que com a minha experiência conseguiria compensar um pouco esse handicap.

S: E o seu feedback?

B: Na verdade senti falta do tempo em pista, da tal “rodagem”, que nos permite limar arestas, tanto em termos de pilotagem, como na afinação do carro. Cada jornada é composta por três corridas, pelo que há que saber gerir o esforço e o risco ao longo de todo o fim-de-semana, de forma a não comprometer o resultado da corrida seguinte.

Na Corrida 1, apesar de ter feito um quarto tempo para a grelha, tive de partir do pitlane por nos termos atrasado à saída da nossa boxe, o que foi frustrante. Mais a mais que a corrida decorreu muito tempo atrás do safety car, devido a acidentes em pista, e isso não me permitiu recuperar lugares conforme esperava. Ainda assim, terminei em sexto.

Na corrida 2, as coisas já correram mais de feição. Houve diversas “molhadas” nas primeiras voltas, e acabei por perder posições para conservar o “bem-estar” do carro, pois alguns dos meus adversários estavam algo agressivos nos seus ataques. Depois comecei a recuperar lugares, terminando em quinto, após uma luta leal, limpa e muito divertida com o meu companheiro de equipa, Miguel Couceiro.

Para a corrida 3, decidi atacar forte logo nos primeiros momentos, para tentar chegar aos primeiros lugares, o que resultou bem, pois na abordagem da Curva 1 já estava na liderança da classe. Mas ainda na primeira volta, um acidente envolvendo cinco concorrentes da classe 420R- mais rápidos que os 320R- estragou os meus planos. Consegui evitar os carros acidentados, mas levei um toque por trás, o que me atirou para fora de pista. No recomeço da corrida estava nos últimos lugares, e consegui ir ganhando posições até lutar com o terceiro classificado. Mas ele estava mais rápido que eu, e fui progressivamente perdendo terreno. Aí senti a tal “falta de rodagem”, que me levava a perder entre meio a um segundo por volta. Ainda assim, terminei em quarto, o que me deixa, senão contente, pelo menos satisfeito, pois vou para a próxima ronda, em Jarama ( Madrid), em terceiro do campeonato.

S: Porquê ter a Sparkes & Sparkes como patrocinadora? De que forma a nossa empresa se alinha com os seus valores e objetivos como piloto?

B: A nossa relação com a Sparkes & Sparkes foi desde logo facilitada pelo facto de ser uma empresa com quem se pode “comunicar”. Quando procuramos parcerias desta natureza, ter um interlocutor que oiça as nossas ideias é fundamental. É um caso raro no panorama nacional, pois os decisores de Marketing e administradores nem sempre estão abertos a explorar novas formas de comunicar as suas marcas, os seus produtos, a sua mensagem.

Por outro lado, a Sparkes & Sparkes fazia todo o sentido nesta parceria, pois corremos com carros de caixa de velocidades manual. Numa altura em que os automóveis são cada vez mais eletrónicos e digitais, mesmo na competição, os Caterham ainda são automóveis de transmissão convencional, e por isso estarmos associados à vossa empresa enquadra-se na perfeição.

Mas há ainda outro fator não menos importante. Quem nos segue na televisão e redes sociais sabe que no GTi privilegiamos o contacto com as pessoas e a boa disposição, e isso traduz-se em relações mais fortes e “descomplicadas”. E foi o que encontrámos na Sparkes & Sparkes: pessoas que, além de partilharem a paixão pelos automóveis e pela competição, gostam do convívio direto e aberto.

S: O que projeta para as próximas corridas?

B: Espero melhorar o meu ritmo de cada vez que entrar no carro, para poder acompanhar os mais rápidos e assim lutar pelos lugares do pódio. E evitar erros que se paguem em tempo ou em custos de oficina é já meio-caminho andado para melhores classificações. Sempre acreditei que a regularidade é a chave para se “construir” um bom resultado final de campeonato. Depois de Jarama fazemos o balanço! 

 

 

 

Nenhuma das fotografias é da autoria de Sparkes.pt

 

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